terça-feira, 31 de maio de 2011

Manifestantes realizam Marcha da Maconha Aracaju

Texto e fotos: Diego Barboza

A exemplo do que vem acontecendo em outros estados brasileiros, foi realizado na noite de domingo, 29, a Marcha da Maconha Aracaju. O evento teve início na pista de skate da Orla da Atalaia e estendeu-se por toda a Orla de Aracaju até a Passarela do Caranguejo e trata-se de uma manifestação pública em favor da legalização da maconha.

A manifestação ocorreu de forma pacífica e organizada e visivelmente contou com o apoio da polícia militar para melhor organização do trânsito e para manter a ordem pública.

Sobre a manifestação

Os defensores da legalização da maconha partem da constatação de que a proibição tem se mostrado nociva e ineficiente por não diminuir o consumo e por criar ao mesmo tempo um mercado ilegal, que é o tráfico.

E que a legalização não é para que todas as pessoas possam ser usuárias de maconha, mas para que todos que desejam fazer uso não sejam tratados como criminosos.





Marcha afronta a caretice de Aracaju

Quem marcha sai de um lugar na esperança de alcançar outro. Na tarde do último domingo, cerca de quatrocentos jovens – chute do próprio escrevinhador dessas palavras rasteiras. Uma estimativa deliberada, de quem estava no meio da muvuca e tentava mensurar o sucesso do movimento de alguma maneira – caminharam pela orla de Atalaia exercendo o maior de todos os direitos garantidos pela nossa Constituição. As câmeras da TV Sergipe não deram as caras. Não vi sequer um repórter com crachá pendurado no pescoço acompanhando a galera. Não faz mal. O que importa é que a gente estava lá.

Liberdade de expressão não é brincadeira e a saúde de qualquer democracia está sujeita a seu exercício. Quase nenhuma fumaça, muita alegria. Na concentração, os organizadores da marcha deixaram claro. Embora o corpo seja uma festa, ninguém ali estava promovendo um carnaval. O objetivo era chamar atenção para a causa, provocar o debate. A única motivação da Marcha da Maconha realizada em Aracaju foi a provocação de uma discussão franca a respeito das políticas públicas sobre drogas no Brasil.

Quando a coisa bate – Antes da dispersão, a marcha passou pela Passarela do Caranguejo, onde a manifestação pacífica ganhou forte conotação política. Ali, distraídos pelo barulho dos bares, nossos familiares, nossos vizinhos, foram obrigados a nos reconhecer entre os maconheiros a quem sempre consideraram marginais. Pense no susto!

O pior é que não somos apenas os quatrocentos que saíram de casa e caminharam alguns metros para afrontar a caretice de uma cidade provinciana. Nos prédios mais altos de Aracaju, residem maconheiros. Nas melhores escolas da cidade, estudam maconheiros. Na fila do pão, na academia, no cinema, entre os amigos de sua filha, pode estar um maconheiro. Você quer mesmo que esse povo todo – um pessoal educado, que lhe dá bom dia ao entrar no elevador e cede a vez no supermercado para os idosos serem atendidos primeiro – vá em cana por causa de um pedaço de mato?




Os argumentos que embasam a luta são, além de muito conhecidos, abundantes. Não é preciso o conhecimento de um cientista social para deduzir a relação entre uma legislação que criminaliza, além do tráfico, o cultivo e o consumo de uma planta, e a violência vivenciada pela população no cotidiano das cidades. As palavras de ordem entoadas durante a caminhada, entretanto, resumiam a peleja de maneira mais sucinta e direta. “Dilma Rousseff, legalize o beck!”; “U-hu Aracaju! Todo mundo fuma um!”; “Polícia é pra ladrão, pra maconheiro não!”; “Pula, sai do chão, quem é contra a repressão!” e, a menos politizada, e talvez por isso mesmo a que mais emocionou os maconheiros presentes, “Eu sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor”.


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