As drogas químicas sintéticas, como a heroína, crack, cocaína, são alteradores de consciências e provocam uma euforia, uma sensação de total desinibição do pudor, nos dando uma sensação agradabilíssima de bem-estar e de total desinibição. Na realidade, para quem ainda não provou da coisa, é mais ou menos como você tomar muita bebida alcoólica, como cerveja, uísque etc. você sente aquela leveza e aquela sensação de alegria, esquece o que há de ruim na vida; a pessoa entra numa "alienação" da vida "real", no entanto com uma diferença: com as substancias sintéticas a pessoa não fica tonta, cambaleando, ou com aquela fala embola, como se a língua estivesse presa... aquele tipo de fala de bêbado que logo denuncia que o camarada tomou "umas" ou falando coisa com coisa, abobrinhas. Não, não fica dessa forma, fica bom de papo, fica o rei do papo. Ele se vende como o rei dos sucessos.
Porém, com a maconha não é assim. Ela deixa a pessoa com a consciência mais aguçada, induz a reflexão do pensamento. Ao contrário do que a provoca as outras substancias que alteram a consciência para um estado surreal, a maconha induz ao estado de "calmaria" – o sujeito fica meio "zen" proporcionando o refletir da consciência sobre a realidade.
Ela é uma erva, assim como há outros tipos de ervas, que induz a meditação e a reflexão, a maconha é só mais uma delas. Muitas pessoas que eu conheço usam e levam a vida normal, usando como forma de meditação. Acontece é que a Cannabis sai na frente em muito em termos de vantagem quando comparadas com as drogas legalizadas rentáveis de nosso sistema capitalista.
Uma diferença básica é que a maconha não causa uma dependência tão visceral quanto às drogas sintéticas. Causa dependência, como tudo em excesso faz mal (café, chocolate, até o "consumismo" do sistema capitalista) assim também pode não causar, dependerá do uso e das disposições de cada pessoa. Ora, bebida alcoólica também causa dependência; o cigarro também. No entanto, são drogas lícitas ao consumo. O grande problema está em se colocar a maconha nos mesmos níveis de outras drogas que causa dependência pesada e aí criminaliza tudo.
A maconha pode causa dependência em torno de 2 a 4% da população que tem uma certa tendência à psicose. A maconha tem elementos de anti-psicose pouco encontrado em outros elementos na natureza. De modo que o uso dela em pessoas normais não causa psicose, mas em torno de 2 a 4% da população não podem usar, porque podem desenvolver surtos psicóticos. Mas ela se comparada com esse outro arsenal de drogas sintéticas, não dá nem para classificá-la. Seria uma perversidade com a maconha. Seria possível colocar o álcool no meio dessas drogas(heroína, cocaína, crack) do que a maconha, porque o álcool provoca muito mais males do que ela.
A heroína, crack, cocaína são chamadas de "drogas da felicidade". Elas trabalham com o elemento da euforia humana. É por isso que a maioria dos usuários dessas substâncias começam com a maconha, e depois a larga e passam a usar essas drogas sintéticas. A pessoa mal informada pode achar que a maconha é "a porta aberta para o uso das outras drogas"(um mito criado e muito difundido). No entanto, na realidade, quando o sujeito prova a maconha e gosta, ele pára nela. E podemos até dizer que ele é salvo das drogas pesadas, ficando só no uso dela. O problema é quando ele não gosta dela, e vai adiante. Porque a "onda" da maconha não é uma onda eufórica, é reflexiva. Já a onda da cocaína, por exemplo, é aquela de se achar "o rei do mundo" na frente do titanic. É a droga dos executivos: é aquela sensação de "ganhar", de vencer o jogo, de ir para as grande mesas de negociação, das conferências, de seduzir os clientes. É um negócio "extraordinariamente produtivo". É aquela euforia, muita dopamina. Não é por acaso, que comprar cocaína custa caro, esta droga é uma droga consumida em muitos casos pelo pessoal da classe média pra cima.
Só que na mesma medida que essa química, dessa dopamina, dessa euforia que vai entrando no cara pelo uso; a cocaína vai matando a produção natural dessa substancia no organismo, e vai aleijando, por assim dizer, os receptores neurais do individuo, para as químicas naturais de alegria que o organismo produz. Assim sendo, o individuo acaba só experimentando alegria com a hiper-dosagem dessa substancia, e o organismo passa cada vez mais a pedir mais, e mais. É aquela euforia, e depois do efeito, é aquela tensão, os olhos não conseguem fechar... e se o sujeito não der uma outra cafungada, cai em depressão. E aí começa aquele processo depressivo, e improdutivo, ele tem que "cheirar" para se sentir o "rei do mundo". Inicia-se esse ciclo perverso que não tem fim.
Conclusões:
1. Primeiro, assim como as bebidas alcoólicas e o tabagismo são permitidos, assim também deve ser o uso da maconha. Ora, para mim é claro que ela causa muito menos distúrbios sociais do que o uso de álcool e cigarros, se é que causa algum distúrbio. Assim quanto a estas drogas, o individuo deve ter a consciência adulta de que se quer usar, que use e assuma depois com as consequências da decisão. Do cigarro o câncer, do álcool os acidentes automobilísticos, os problemas de rins e cirrose, sendo que diante destes males, a maconha até hoje cientificamente nada foi provado de que causa câncer, problemas cardio-vasculares etc. O professor Jonh Morgan, farmacologista, da City University of new York's Medical School escreveu um livro chamado MACONHA: MITOS E FATOS em 1997, para verificar os muitos mitos que se dizem sobre os efeitos da maconha. Leia o livro então. Até hoje nada foi provado cientificamente que contrarie o que no livro foi deixado claro. Os remédios anti-depressivos estão aí viciando muito mais pessoas, com seus efeitos colaterais; as bebidas estão aí com as suas variadas consequências prejudiciais, no entanto são permitidas. E por que são? Ora, porque geram acumulação de riquezas para os capitalistas sangue-sugas, produtores destas drogas lícitas.
2. Segundo, quanto às drogas pesadas como o crack, a cocaína, elas devem ser combatidas através de políticas de saúde pública e não pelo sistema penal, quando se tratar de simples usuários e pequenos traficantes. Em vez disso, quanto se gasta com a questão do crime no combate às drogas, ao invés de se investir este dinheiro no tratamento clínico de usuários. Morre muito mais pessoas vítimas da violência e ação policial na repressão, do que morrem vítimas do próprio consumo da droga em si.
Os EUA gastam em torno de 12 bilhões de dólares no combate as drogas, e o problema não diminui, só aumenta. Veja as reincidências nas prisões. O contingente de apenados, só aumenta nas prisões; e do lado de fora o que não faltam são peças de reposição. Eu não creio, particularmente, que por essas vias hoje de combate às drogas, sejam as vias da sabedoria. As nossas escolhas estão entre a merda pura e ela diluída. Nossas conjunturas de pânicos só vêm crescendo; quanto mais pânico, depressão, infelicidade, desconstrução familiar, psicopatia no que diz respeito à morte dos afetos e dos vínculos, mais drogas serão necessárias. Onde não há amor, o sujeito tem que usar drogas; seja a droga do sexo, seja a droga legalizada do álcool, seja ela qual for. Tem que ir para algum pólo, terá que dá uma anestegiada de algum modo.
No combate aos grandes traficantes exportadores e importadores das drogas sintéticas, deveria haver investimento no campo do produtor da coca(folhas, que depois passam por processos químicos até torna-se própria ao consumo), pois estas drogas pesadas como a cocaína, têm seu início com a folha da coca. Quem planta? Os homenzinhos pobres do campo que plantam para sustentar sua família, porque se milho e mandioca valessem o mesmo que se paga pelo cultivo da coca, eles plantariam mandioca e milho. Os governantes que gastam milhões no combate às drogas com armamento e policiais deveriam focar o solo produtor da droga, e investir no camponês. Dei-lhes estruturas para trabalhar, comprando o que eles produzem. Enfim, investindo no camponês que produz a coca, e ele passará a cultivar outras culturas. O Estado fica lidando o tempo todo com os sintomas, enxugando gelo, em vez de ir na raiz do problema. Os próprios traficantes precisam dessa gente de bem pobre, no meio do mato, colhendo as folhas de coca, para ganhar com a venda e sustentar a família – sem essa gente na miséria, o tráfico não se reproduziria sem matéria-prima.
Dessa forma, deveria haver investimentos nas duas pontas do processo, no usuário de cá e do produtor camponês do outro lado. Assim se atingiria o mercado de consumo e a fonte produtora dos grandes traficantes de drogas, deixando-os "falidos". Esses sim devem ser presos, e suas atividades combatidas com o direito penal e com todo o aparato repressivo estatal.
No mais, que se libere o uso da maconha enquanto uso pessoal, e que o Estado deveria tomar o controle do comércio, assim evitaria que gente boa entrasse em contato com o mercado hoje ilícito do tráfico.
Marcos Paulo
19 de fevereiro de 2011
Teresina, PI
Fonte: Artigonal
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