segunda-feira, 23 de maio de 2011

Polícia de SP apura repressão policial na Marcha da Maconha


A Polícia Militar investigará a conduta dos policiais que participaram da repressão à Marcha da Maconha, anteontem, em São Paulo. A corporação prometeu apurar "todo e qualquer abuso que pode ter ocorrido". 

A polícia usou balas de borracha e bombas de efeito moral contra os manifestantes, perseguidos da avenida Paulista à rua da Consolação. Seis pessoas foram detidas e, mais tarde, liberadas.

Imagens da TV Folha mostram a violência da polícia. O repórter da TV Félix Lima foi atingido por jatos de spray de pimenta por um PM e por uma agente da Guarda Civil Metropolitana. A agente da GCM ainda atacou o repórter --que portava crachá-- com um golpe de cassetete.

A GCM vai apurar o caso. A PM atribuiu a reação à necessidade de cumprir ordem judicial, dada na sexta, que proibiu o ato. Sem poder fazer alusão à maconha, os manifestantes saíram em passeata em nome da "liberdade de expressão".

Os integrantes da marcha prometem novo manifesto no sábado, contra a repressão policial, no vão do Masp. 


SEM SENTIDO

"Não havia sentido nenhum em nos agredir", afirmou a advogada Juliana Machado, 27. Ela havia obtido autorização da PM para a marcha desde que não houvesse referência à maconha, mostram imagens do portal "IG". "O acordo foi descumprido." A PM não respondeu.

Para o coordenador da comissão de direitos humanos da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil), a reação da polícia foi exagerada.

"Os governos de uma forma geral tratam um problema de saúde pública como caso de polícia, à base de bala de borracha e bomba de gás", disse Martim Sampaio.

A repressão suscita a importância de se debater de forma adequada a descriminalização da maconha, diz.



Fonte: 



Secretário admite "excesso" da GCM durante marcha em SP


O secretário municipal de Segurança Pública de São Paulo, Edson Ortega, admitiu nesta segunda-feira (23) a possibilidade de "excessos" por parte da Guarda Civil Metropolitana (GCM) na manifestação realizada sábado (21) no centro da capital paulista. Na ocasião, manifestantes saíram pela avenida Paulista com cartazes em defesa da liberdade de expressão e da legalização da maconha. O grupo foi reprimido pela Polícia Militar com balas de borracha e bombas de gás, além de socos, pontapés e outras ações truculentas desferidas também por parte de representantes da GCM.

Em entrevista ao UOL Notícias, Ortega afirmou que as imagens divulgadas pela imprensa e os relatos de abusos, feitos pelos manifestantes, dão base à abertura de um processo de investigação pela Corregedoria do órgão. "Todas essas denúncias e as imagens evidenciam que possa, sim, ter havido excesso. O caso será apurado e as pessoas, chamadas a depor", declarou o secretário, que completou: "É importante que mesmo quem foi agredido nos procure e venha depor, até para que as provas no processo sejam consistentes".
Segundo o secretário, não existe uma orientação para que a GCM aja desta maneira. "Temos uma cultura de paz, não apoiamos a agressão a pessoas e claro, vamos avaliar quais foram as circunstâncias que tenham levado um integrante da guarda a agir daquela maneira. A menos que seja em situações extremas, o que, para mim, não foi o caso [da passeata em São Paulo], apenas damos apoio à PM em atuação complementar, além de fazer a segurança dos prédios públicos", declarou. Sobre a conduta da polícia no episódio, se esquivou: "Só posso falar da guarda, que é a instituição a mim vinculada".
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), preferiu não opinar sobre a conduta da GCM na manifestação. "Prefiro aguardar o trabalho desta comissão que investigará se houve ou não excesso", resumiu.

A manifestação

A Marcha da Maconha em São Paulo foi substituída neste sábado (21) por uma manifestação "pela liberdade de expressão", segundo seus organizadores. Com cartazes que também defendiam o uso da droga, os jovens foram reprimidos pela PM com balas de borracha e bombas de gás, mas completaram o percurso até a praça Roosevelt, definido de véspera. Seis pessoas foram detidas e liberadas horas depois, após assinatura de termo circunstanciado. 
A marcha havia sido proibida por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que, na sexta (21), atendeu ação movida pelo Ministério Público Estadual. Para o MP, movimento poderia representar crime de indução ou instigação ao uso de drogas.
Repórteres da Folha, iG, O Globo e Diário de S. P. são agredidos na Marcha da Maconha 
Os repórteres Felix Lima (Folha.com), Ricardo Galhardo (iG), Márcia Abos (O Globo) e Fabio Pagotto e Vinícius Pereira (Diário de S. Paulo) foram agredidos por policiais militares durante a cobertura da Marcha da Maconha, no último sábado (21/5), em São Paulo. A PM jogou spray de pimenta no rosto do jornalista da Folha e danificou seu aparelho fotográfico, enquanto registrava a cena de outra agressão. O repórter estava com o crachá de imprensa, mas mesmo assim não foi poupado.

Pagotto teve o pé machucado, ao ser atropelado por uma moto da corporação. Como desculpa, a polícia disse que o veículo estava sem freio.“Já tinha tomado spray na cara, soco e depois fui atropelado. Foi proposital, eu tenho fotos, testemunhas”, afirmou o repórter fotográfico, que ainda sente dores. “Estou aqui com a perna esticada. Antes tinha desinchado, mas ainda está doendo, vou ter que ir ao médico para ver o que aconteceu", completou.

Seu colega de jornal, o fotógrafo Vinícius Pereira também foi agredido. "Levei de tudo, desde spray de pimenta à porrada com cacetete", contou.
Ricardo Galhardo, do iG, foi atingido por estilhaços de uma bomba de efeito moral.“Foi um descaso com a imprensa. Mandei um e-mail perguntando o motivo dessa violência e se eles andavam com moto sem freio, mas eles não responderam”, afirmou. O repórter ainda disse que outras perguntas, como o motivo da detenção de um dos manifestantes, também não foram respondidas. O jornalista estranhou o fato de os manifestantes terem sido perseguidos, já que a marcha havia sido negociada com a PM, apenas com algumas restrições.

Márcia Abos, de O Globo, leva, da cobertura da marcha, uma marca roxa no braço, depois que foi atingida pelo escudo de um policial. "Eles foram muito truculentos. Partiam para quem estava na frente. Em todo o momento eu estava com o crachá do Globo e muitos outros jornalistas também estavam identificados", afirmou.

Todos os repórteres registravam a ação da PM, que perseguiu os manifestantes, cerca de 700 pessoas, por 3 km, com balas de borracha e bombas de efeito moral.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana informou que o caso está sendo apurado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário