domingo, 19 de junho de 2011

Manifestantes participam da Marcha da Maconha em todo o país para comemorar decisão do STF

Manifestantes se concentram no Rio para a Marcha da Maconha.  O evento acontece menos de uma semana depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter liberado a realização de marchas deste tipo - Foto de Pablo Jacob
RIO e SÃO PAULO - Após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de liberar a realização da Marcha da Maconha em todo o país, manifestantes foram às ruas neste sábado em vários estados para comemorar. Mais de 40 cidades programaram a chamada "Marcha da Liberdade".
Em São Paulo, mais de duas mil pessoas, segundo a Polícia Militar, participam da marcha na Avenida Paulista. Os manifestantes iniciaram a concentração por volta das 14h, em frente ao vão livre do Museu de Artes de São Paulo (Masp) e saíram em passeata duas horas depois, pela avenida. Os manifestantes são jovens, em sua maioria, e foram acompanhados por um cordão de policiais. A pé, ocupam três das quatro faixas da avenida sentido Rua da Consolação.
Uma das organizadoras do evento Gabriela Moncau considerou uma vitória a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que dá liberdade de realização de marchas em todo o país.
Gabriela disse que na próxima segunda-feira será realizada uma audiência pública, em SP, para discutir o tema na Assembleia Legislativa.
- A decisão do STF é uma grande vitória à liberdade de expressão, que é algo garantido na Constituição. Mas estávamos sofrendo repressão. Não estamos incentivando o uso de drogas ilícitas na marcha. Estamos apenas entrando em um debate que deve ser discutido. Repressão lembra ditadura - afirmou Gabriela.
Os manifestantes fizeram uma passeata até a Praça do Ciclista, na Avenida Consolação, e retornaram até a Praça Oswaldo Cruz, na outra extremidade da avenida.
Participaram da passeata, entre outros, alguns movimentos sociais, entre eles grupos de afrodescendentes e LGBTs.
O advogado Luiz Arruda, de 34 anos, que pertence ao movimento LGBT, disse que os gays continuam sofrendo muita represssão e sendo rechaçados pela sociedade. Ele disse, também, que espera um evento pacífico hoje.
A primeira Marcha da Maconha na capital paulista, programada para o dia 21 de maio, foi proibida pela Justiça de São Paulo e houve confronto entre os manifestantes e a Polícia Militar, que foram à Avenida Paulista para pedir liberdade de expressão.
No Rio de Janeiro, a Marcha começou por volta das 15h30m na Avenida Atlântica, em Copacabana, na altura do Posto 6. Cerca de 300 pessoas foram escoltadas por policiais militares, em passeata que ocorreu tranquilamente até a altura do Copacabana Palace. Havia bandas de música e o clima geral era de festa.
Manifestantes mascarados faziam lembrar o Carnaval.O Secretário Estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc (PV) comemorava a decisão do STF.
- Essa decisão do Supremo foi uma suprema alegria. Primeiro, a decisão de oficializar a expressão de amor entre homossexuais e agora a liberdade de expressão. Eu devo ser o único com mandato que fui a todas as marchas. Agora temos o direito de defender a nossa opinião baseado numa política mais eficiente - argumentou Minc.
O ator João Velho também particiipou do ato.
- Um manifesto como este está correndo o mundo. Foi tão reprimido que virou uma coisa maior, de Marcha da Maconha para Marcha da Liberdade. É surreal a maconha ser proibida ou o casamento gay. Estamos em 2011 - defendeu o ator.
Em Belo Horizonte, dois grupos, um nacional e outro internacional, protestaram junto na Praça da Estação, em Belo Horizonte.Segundo o G1, as marchas das Vadias e da Liberdade levaram pessoas de todas as idades e sexos para o centro da capital mineira, para pedir o direito das mulheres e de expressão.
Uma das organizadoras da Marcha das Vadias, Débora Vieira, de 29 anos, disse que os grupos estavam protestando junto para pedir respeito.
- A princípio foi coincidência os dois grupos marcarem a manifestação nesta data, mas depois resolvemos unificar. É preciso eximir a mulher de culpa nos crimes sexuais. Caiu no senso comum dizer que a roupa e a reputação da mulher podem ter causado o crime - disse.
De acordo com a organização do evento, cerca de mil pessoas dos dois grupos estavam na manifestação. A Polícia Militar estimou que estiveram presentes na Praça da Estação entre 200 e 300 pessoas.
No Mato Grosso do Sul, integrantes de 15 movimentos sociais, ambientais e culturais da cidade participaram da marcha.
Música, entrega de flores e exibição de cartazes em defesa de vários temas como a união entre pessoas do mesmo sexo e a proteção às florestas marcaram a Marcha pela Liberdade na Praia de Iracema e na Avenida Beira Mar, em Fortaleza. Cerca de 200 pessoas, entre elas muitos jovens e até crianças, participaram do evento. A estimativa de público é da organização da marcha.

Fonte: O Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário