A maconha está presente na história dos seres humanos há muito tempo. Relatos dão conta que, já no ano 7000 a.C, os chineses utilizavam a planta de maneira medicinal. Assim como os chineses, os indianos também já utilizam há séculos a maconha para tratar de problemas de saúde.

Durante a guerra contra as drogas, que teve início no século passado e que é lembrada por grupos e organizações que defendem uma reforma nas políticas da maconha, a imagem da cannabis que passou a ser disseminada não condiz com a realidade. Sempre se tentou passar uma imagem distorcida dos reais efeitos que a maconha pode exercer.
Nestas últimas décadas a maconha foi taxada de maléfica por autoridades e governos, muito se perdeu em relação à utilização da maconha nos campos da medicina e da indústria. Pesquisas e tratamentos médicos ficaram praticamente parados em grande parte destes anos, representando gigantesco prejuízo para a humanidade. Dizemos isso pelo fato da indústria farmacêutica tradicional ter crescido absurdamente e, por outro lado, tratamentos alternativos a base de plantas, como é o caso da maconha, terem sido crucificados em prol de uma perseguição sem amparo científico.
Este panorama de crucificar a maconha tem mudado. É cada vez mais visível que a medicina à base de maconha vem crescendo e angariando cada vez mais adeptos. Este processo se dá por diferentes motivos. Sejam eles pela conscientização ou pela busca pessoal por um tratamento alternativo com menos impactos na saúde, a utilização da maconha de maneira medicinal vem comprovando que pode trazer resultados satisfatórios sem agredir o já fragilizado organismo que enfrenta determinada doença.
O câncer é uma das doenças mais letais enfrentadas pelos seres humanos, que encontram na maconha um importante aliado na luta para vencê-lo. É o caso da Maria Antonia Rabello Goulart, de São Paulo. Ela utilizou a maconha, de maneira medicinal, e se beneficiou pelo uso consciente da erva.
Confira abaixo a entrevista feita pela Brasil Norml com a Maria Antonia e reflita, através das experiências relatadas por ela, sobre o uso medicinal da maconha.
Brasil Norml: Quando você descobriu que tinha câncer?
Maria: Foi em 2007. Eu estava muito bem, me recuperando de uma depressão, quando senti uma dor muito forte. Foi ai que a doença se manifestou.
Brasil Norml: Quais foram os tratamentos indicados pelos médicos para você tratar o câncer?
Maria: Me indicaram fazer tratamentos convencionais como quimioterapia, radioterapia e cirurgia.
Brasil Norml: Quando e como você começou a usar maconha para auxiliar o tratamento de câncer?
Maria: Logo no início do tratamento. Os efeitos colaterais são terríveis e o uso da cannabis alivia muito.
Brasil Norml: Você buscou informações sobre a maconha onde? Houve indicação ou você buscou por conta própria?
Maria: Eu já conhecia as propriedades medicinais da erva. Quando fiquei sabendo do diagnóstico, já sentia muitas dores e, junto com meus familiares, conversamos com amigos médicos e psicólogos que deram todo apoio e indicação de uso.
Brasil Norml: Para você, quais são os principais benefícios da utilização da maconha no seu tratamento contra o câncer?
Maria: A diminuição dos efeitos colaterais do tratamento como a falta de apetite, enjôos, falta de sono, e dores. Minha situação melhorou muito. Com isto o doente fica mais fortalecido, auxiliando muito na cura.
Brasil Norml: Você utilizava a maconha para aliviar que tipos de sintomas?
Maria: Para aliviar os sintomas da quimioterapia, pois sentia muito enjôo e vômitos; da radioterapia que produzia queimaduras muito doloridas; além da falta de apetite e de sono.
Para aliviar as dores horríveis, eu tomava altas doses de morfina, e somente com a ajuda da cannabis, eu sentia um verdadeiro alivio.
Quando terminei o tratamento parei imediatamente com a Cannabis, sem problema nenhum. Já a morfina, continuei tomando mesmo sem precisar pois as dores já tinham passado. Por quase três meses fui diminuído as doses para não ter crise de abstinência pois meu organismo já estava viciado. A morfina é uma droga liberada, usada em hospitais e vendida, com receita médica, em qualquer farmácia.
Brasil Norml: Você escreveu um livro, o “Apologia a Cura”. O que te motivou a escrevê-lo?
Maria: O desejo de passar mensagem de otimismo para doentes em geral. Com bom humor, tratamento certo e com uma terapia alternativa indicada como complemento de outros tratamentos, consigam chegar a cura, como eu cheguei, além de poder divulgar uma causa tão nobre que é o uso da Cannabis Sativa, para uso medicinal.
Brasil Norml: Você acredita que as leis que controlam o uso da maconha no Brasil deveriam ser revistas ?
Maria: Sim e com a maior urgência para o uso medicinal. Existem infinitas pesquisas feitas, com benefícios comprovados, mas que não podem ser divulgadas pois é proibido. A burocracia para fazer uma pesquisa dessas aqui no Brasil é muito grande. É permitido importar a erva mas quando ela chega, é apreendida?
Vamos olhar com mais carinho e menos preconceito a liberação da Cannabis Sativa para pesquisa e o uso Medicinal.
Brasil Norml: Após sua experiência de vida, o que de mais importante você tem a passar para a sociedade?
Maria: O Câncer é uma doença devastadora, mas hoje em dia a possibilidade de cura é muito grande, dependendo de vários fatores. Aqui em nosso país as dificuldades são muito grandes para um tratamento digno: faltam bons médicos, remédios, atendimento imediato. Pessoas esperam em filas para o tratamento, morrendo com grandes sofrimento antes mesmo de iniciá-los. Falta apoio por parte do Governo. Existem leis que não são cumpridas e nem divulgadas. Temos que dar mais dignidade aos doentes. Oferecer a opção de usar cannabis Sativa de uma forma legalizada para pacientes com Câncer e outra doenças em que o uso terapêutico da erva é comprovada.
Fonte: Brasil Norml
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